Atividade 3 – Biblioteca: Formas de Trabalhar com a Mídia
Impressa no Meio Digital
Impressa no Meio Digital
Maria Elismar de Jesus Leal Abreu
O texto na era digital: a internet está mudando a maneira de ler e escrever. Olhando de forma retrospectiva a escrita era igualmente flexível, os textos eram acontecimentos em andamento, consertados pelos leitores, revisados pelos discípulos, constituindo-se verdadeiros fóruns de discussão. Tomás de Aquino, por exemplo, em seus escritos colocava e respondia questões, citando e interpretando textos da antiguidade clássica, extraindo deles o diálogo.
Na página impressa, os leitores perderam o papel na formação do texto, de ativos, tornaram-se passivos, porque as idéias se apresentam de forma fixas, assim, o que lhes cabe é ler e tentar interpretar , compreender o que o autor quis dizer, de certa forma foi dado ao trabalho de escrita uma autoridade, imponente e incontestável.
O texto digital em especial o publicado na internet não deve ser vista de forma negativo, pois é possível comprovar o aumento das possibilidades de leitura. É claro que é preciso selecionar o que ler e como ler, e esta é, sem sombra de dúvida, mais uma atribuição dirigida ao professor, a de orientar a busca, seleção e gerenciamento das informações que estão disponíveis na rede.
O processo de escrita também está mais freqüente pela explosão da comunicação na internet isso pode ser observado nos sites de relacionamentos, como: Orkut, Twitter, e-mail, blog, nos quais prevalecem a linguagem coloquial, a redundância, os códigos, as gírias, alias nunca se usou de tal forma a linguagem do cotidiano como nos dias atuais com o advento da internet. E isso, de certo modo é positivo, pois ler-se e escreve-se como nunca foi visto em outros tempos, cabe ao professor saber orientá-los em relação ao uso da linguagem formal e da adequação ao contexto.
A prática de leitura na internet não constitui um ato solitário, porque ao mesmo tempo em que o usuário acessa a página e ler seus conteúdos, há interação com outros usuários e assim cada vez mais expande, é um convite a comentários, críticas e observações, obrigando os internautas a desenvolverem discursos de improviso e a defender seus pontos de vistas. O Facebook, por exemplo, aprimorou as antigas listas de discussões e fóruns, acrescentando-lhes um visual mais limpo e elaborado, com diferentes graus de interação acompanhados de recursos audiovisuais, tornando a experiência de compartilhar informações ainda mais enriquecedoras.
Embora não se possa afirmar que a era digital desenvolveu uma "cultura letrada", com ênfase em informações profundas e relevantes, ela reforçou o peso da palavra escrita no cotidiano das pessoas.
Embora não se possa afirmar que a era digital desenvolveu uma "cultura letrada", com ênfase em informações profundas e relevantes, ela reforçou o peso da palavra escrita no cotidiano das pessoas.
É evidente que existe temor em relação ao novo, e isso faz parte da história do homem, uma vez que o surgimento de qualquer dispositivo tecnológico tende a ameaçar as práticas adquiridas ao longo da história, as quais foram atribuídas valores sagrados e insubstituíveis.
A questão do hipertexto é um exemplo de autonomia intelectual midiática uma vez que transferem parte do poder do escritor para o leitor pela possibilidade e habilidade que este último passa a ter de escolher livremente seus trajetos de leitura elaborando o que poderíamos denominar "meta-texto", anotando seus escritos junto a escritos de outros autores e estabelecendo nexos ou interconexões entre documentos de diferentes autores de forma a relacioná-los e acessá-los rapidamente.
Assim, a noção de autor como organizador da seqüência textual do hipertexto e a do leitor como seu co-autor são também partilhadas por Koch (2002) e por Xavier (2004). Segundo Koch, o leitor do hipertexto tem a possibilidade de optar entre caminhos diversificados, de modo a permitir diferentes níveis de desenvolvimento e de aprofundamento de um tema (cf. Koch, 2002: 63). Xavier (2004) acredita que a leitura no hipertexto potencializa uma “emancipação do leitor”. A partir dos links, o chamado hipernavegador pode seguir por rotas diferentes daquelas originalmente concebidas pelo autor. Os nós (ou blocos de texto) e os links diluiriam qualquer contrato que teria sido firmado entre autor e leitor para o estabelecimento de um ponto de chegada da leitura do texto eletrônico.
Neste sentido, observa-se que o advento do hipertexto possibilita ao autor colocar em circulação a produção de textos escritos, imagéticos, sonoros, sem a ingerência do sistema editorial tradicional. Ou seja, o escritor-autor do texto eletrônico é um “artesão” que trabalha com materiais, cujas limitações são as impostas pelo sistema do computador. Desse modo, o hipertexto consiste não apenas das palavras que o autor escreveu, mas também da estrutura de decisões que criou para que o leitor pudesse explorar a página eletrônica.
A distinção entre o autor do texto impresso e o do hipertexto está ligada à produção física do texto, as funções autor e leitor do e no hipertexto, visando a uma outra reflexão mais produtiva na perspectiva do exercício da linguagem.
Marcuschi é um dos principais autores da Lingüística Textual que tem discutido a questão do hipertexto na linguagem. Fundamentando-se nos estudos de Snyder (1997), Marcuschi acredita em uma redefinição dos limites entre autor e leitor, já que considera que o hipertexto seja construído parcialmente por escritores que criam os links O autor e o leitor concebidos em função de sua historicidade podem tanto contribuir para a compreensão das novas práticas quanto para o exame, sempre imprescindível, de conceitos arraigados do que seja realmente a pratica de leitura e escrita num processo interativo.
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